Friday, February 03, 2006

notícias de uma travessia

Na tela borrão d'água escrevo pra respirar. Na cabeça rodopiam lágrimas e sorrisos, as crenças manchadas de ceticismo, um futuro de dentes afiados, todos os problemas ensurdecedores em sua pequenez. Voracidade, enquanto padece de fome tudo o que é literal.
Partiu e partiu-se em pedaços. Na incompletude sua força, na incompletude sua fragilidade.
Tem sido assim, um dia após o outro, uma frase após a outra. Um crescendo de páginas, uma angústia que vem em forma de vazio e ânsia de vômito. Depois ânsia de vida, que não deixa de ser o mesmo, já outro.
Tem sido assim, com o carnaval que se avizinha, as marchinhas embaralhando-se entre seus parágrafos, tirando Foucault pra dançar.
Pra beber, água de flores. Pra sonhar, luz vermelha e cadernáticas.
Então os dias enfileirados, mirrados alguns, outros prenhes e adiposos.
As idéias lhe vêm em ciranda, ataque de pássaros migratórios. No lugar das asas, nadadeiras.
Encaixam-se os ineditismos da vida, nem todos desejados, todos contudo inevitáveis como a fome e a sede.
Bailam as personagens, mesmo se faltam cadeiras quando pára a música. Porque dessas pequenas tristezas, ridículas e humanas. Delas a existência, a costura interminável de sensibilidades tortas. Avessas.

1 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Nao respiro quando te leio. Lagrimas e sorrisos mas nenhum ceticismo, seus dentes afiados. Meu coracao em pedacos deseja que voce tenha ansia.
Deixe os sonhos dos outros, nao se encaixe no ineditismo da minha vida, nao baile com meu personagem, nao ha cadeira pra voce.
Sim, triste, ridiculo, humano, sensivel.
Voce esta no avesso. Se vira.

Saturday, March 11, 2006 6:08:00 AM  

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